1 de mai de 2012

EU ANTI-PUBLICITÁRIO

Com ífen e tudo! Quando disse isto pela primeira vez - foi neste cadikim (TEM ATÉ TURBO? 27/01/2012, quando este blog estava dando os primeiros vagidos, http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2012/01/tem-ate-turbo.html) - meu neto Moreno Comini, publicitário exercendo em São Paulo (liga do "exercendo", não, Morenaço, palavra que muitos autores usaram referindo-se a putas; pode ser qualquer exercício; eu exerci muito, com orgulho, pode ser até com o mesmo orgulho com que muitas putas exerceram; o meu uso pode até ser uma contribuição; fui pesquisar e verifiquei que, quando aparece a palavra "exercer", referindo-se a prostituição, vem junto com "a profissão" e, em alguns casos, até "ignóbil profissão"; e gente que, no início do século passado, já achava injusto punir só a mulher prostituta, quando o homem era participante da ignomínia; e prescrições de punição para a mulher doente que continuasse "...exercendo a ignóbil profissão"; lembro-me de ter lido, em mais de um texto, a palavra "exercendo", isoladamente, mas ligando-a á idéia de prostituição). Desculpem o devorteio do véio, mas prostituição também é cultura. Até dou por terminado o período.
Então, dado o devorteio, voltemos ao Moreno. Comentou, sobre aquela matéria citada aí em cima:
"Concluiu o curso de Publicidade e Propaganda para só então se dizer anti-publicitário. Isso é o que eu chamo de opinião embasada". Disse-lhe que não se assustasse, e que aguardasse minha volta.
Estou aqui. Já disse alhures que me incomodam as propagandas de automóveis, quase todas realçando os atributos de velocidade, capacidade de manobras perigosas (tem uma em que uma mocinha dá um cavalo de pau, estacionando em uma vaga de tamanho comum), etc. E, no cantinho, hipocritamente, "respeite as leis de trânsito", o que elas nem pensam em impactar. Acho isto muito ruim, principalmente porque o que me levou ao curso de Publicidade e Propaganda não foi a vontade de ser publicitário, mas a de conhecer como é, na teoria, uma atividade que já admirava muito, na prática. Continuo admirando, mas com muitas restrições, principalmente quanto aos aspectos éticos, e quanto à capacidade de gritar para o consumidor que ele é um idiota.
Hoje, pela manhã, ouvi o reclame de uma empresa emprestadora de dinheiro. No meio da lenga-lenga, o camarada diz, mais ou menos, "você que quer sair do vermelho". Chamou de idiota. Ninguém sai do vermelho tomando dinheiro emprestado. Só troca de credor.
Meu querido Moreno, não se amofine. Mas é preciso que alguém grite contra a propaganda enganosa, a que desrespeita o consumidor, os bons princípios, a ética, enfim. E que grite, principalmente, para alguém que pode mudar o perfil. É preciso proteger o brilho de uma atividade muito bacana de comunicação. Caso contrário, poderá não ser necessário especificar a profissão, depois da expressão "exercer".

Imagem: Phil Publicitário.
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